Fábricas e ressocialização de presos: Alcaçuz recebe visita técnica de secretários penitenciários do paÃs
- Sexta-Feira, 27 Fevereir
- 0 Comentário(s)

Apenados trabalham na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no RN Rio Grande do NorteSérgio Henrique Santos/Inter TV CabugiO PresÃdio de Alcaçuz, em NÃsia Floresta, na Grande Natal, recebeu nesta sexta-feira (27) uma visita técnica de secretários da Administração Penitenciária de todo o paÃs para mostrar as fábricas da unidade e o modelo de ressocialização de apenados.O gestores estão reunidos na capital potiguar para a 17ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária do Brasil (Consej).📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsAppAlcaçuz conta com fábricas de produção de blocos de concreto, esquadrias de alumÃnio, artigos religiosos, fardamento, peças têxteis e móveis em marcenaria. Até robôs já foram produzidos pelos detentos.Em Alcaçuz, 150 presos trabalham no centro de produção da penitenciária - eles precisam passar por um processo de classificação técnica, sendo traçado um perfil psicossocial. O modelo permite uma remuneração para detentos e famÃlia, serve como possibilidade de diminuir a pena, e ainda qualifica os presos para para uma profissão ao deixarem o presÃdio, segundo o diretor da unidade, João Paulo Ribeiro. "Os empresários nos procuram, e a gente tem mantido a interlocução, junto com a Secretaria da Administração Prisional com os empresários, que se mostram afeitos a pegar a mão de obra carcerária. A partir daà é traçado quais são as as oportunidades que eles precisam", explicou. "Daà nós direcionamos, e eles conseguem instituir as atividades aqui dentro. E nós conseguimos colocar de acordo com o que eles pretendem".O diretor da penitenciária defende que o modelo ainda auxilia ao diminuir a chance de reincidência no crime."Essa atividade é extremamente importante porque ele consegue, além da remição, ainda ganhar o recurso e consegue também ter a qualificação técnica para quando sair daqui ele possa ter uma atividade para poder desenvolver e não ficar atrelado ao crime", falou.Trabalho auxilia na remição da penaDo ponto de vista da remição da pena, para cada três dias trabalhado, o preso tem um dia de pena reduzido.Cada preso que trabalha recebe um salário mÃnimo, sendo 25% para o Estado, 25% para uma conta judicial e 50% para a famÃlia, caso o interno queira. Caso não, essa quantia também segue para a conta judicial. "Às vezes, as pessoas quando saem do sistema penitencial não tem dinheiro nem para pegar um ônibus, transporte. Então, essas pessoas ficam vulneráveis a situações fáceis e, à s vezes, cometem delitos", explicou o secretário de Administração Penitenciária do RN, Helton Edi Xavier."Aqui a gente dá oportunidade. Tem gente que está trabalhando aqui nos projetos, sai já empregado pelas empresas. Então, você transforma a vida da pessoa. Isso é segurança pública. Essa pessoa dificilmente ela vai reincidir de novo", reforçou. Apenados trabalham na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no RN Rio Grande do NorteSérgio Henrique Santos/Inter TV CabugiAlcaçuz foi palco da maior rebelião do RN, com 26 mortosA Penitenciária de Alcaçuz foi palco da maior rebelião da história do Rio Grande do Norte, em 2017, que terminou com 26 mortos. A última fuga no complexo ocorreu em 2024, quando dois presos considerados de confiança, que trabalhavam em uma obra do presÃdio, fugiram. Eles acabaram recapturados menos de um mês depois.A fuga mais recente anterior a essa aconteceu em julho de 2021, quando 12 presos escaparam do presÃdio.Segundo o secretário Helton Edi Xavier, atualmente Alcaçuz oferece um "padrão de segurança nacional". "Alcaçuz, a partir daquilo que aconteceu em 2017, aquela tragédia, ficou no imaginário da população potiguar que acha que a unidade ainda é daquele jeito", lembrou o secretário Helton Edi Xavier. "Tem pessoas que conheciam aquela realidade. A gente está trazendo aqui para mostrar o que é Alcaçuz hoje, de unidade completamente controlada, uma unidade que oferece trabalho, estudo, todo tipo de assistência", completou.Para o presidente do Conselho dos Secretários Nacionais de Administração Penitenciária, Rafael Pacheco, a visita em Alcaçuz é significativa exatamente pelo passado recente do presÃdio. "Não há de se falar em pena dos presos, em condescendência com crime, não é isso. Mas tem que haver uma proposta de recomeço para essas pessoas. Do contrário, a gente não ataca a reincidência criminal", pontuou. "Então, é muito bom estar aqui em Alcaçuz, que teve um episódio tão ruim para imagem desse estado, mas ao mesmo tempo dá uma mensagem importante para nós que é: 'É possÃvel fazer diferente'".VÃdeos mais assistidos do g1 RN







